terça-feira, 8 de novembro de 2011

Alunos postos à prova - Audições internas: a música tocada pela EMAN


Respiração ofegante, coração acelerado. Mãos que tremem, que suam. Olhar esperto, choro, náuseas, febre. Características fisiológicas de alguém provavelmente doente se não fossem sintomas apenas momentâneos. As apresentações musicais revelam estudantes que passam por esse sofrimento ao se depararem com público. Mas as audições internas da Escola de Música também descobrem alunos desinibidos e talentosos.
            O auditório Gerardo Parente, localizado na Escola de Música, foi construído para que os alunos da EMAN realizassem apresentações públicas. No local, conhecido também como Salão Dourado, são realizadas as audições internas. Essas exibições musicais são obrigatórias para todos os estudantes de instrumento e canto. “Isso é muito importante porque os alunos vão perdendo a inibição e a gente sabe que quem estuda algum instrumento vai se apresentar algum dia em orquestras ou como solistas, e até mesmo em igrejas”, afirma Nadja Amorim, coordenadora de instrumentos de sopros. “Os alunos também têm a oportunidade de verem outras pessoas tocando e percebem que errar é natural em apresentações públicas por causa do nervosismo”, acrescenta.
            Alguns músicos chegam a não conseguir tocar as peças que estudaram durante quase seis meses. O nervosismo é natural em apresentações até certo ponto. Para a psicóloga Lynne Henderson, da Clínica dos Tímidos de Palo Alto, na Califórnia, a maioria dos tímidos não são pessoas doentes. Apenas 2% deles desenvolvem a fobia social, que é uma aversão ao público de maneira exacerbada. Ela acredita que o ideal é que os tímidos contrariem sua própria natureza e parem de pensar que estão sempre sendo observados.
            Alguns alunos choram em público por não conseguir o autocontrole emocional durante a audição. A maioria deles afirma que o motivo maior da insegurança é a pressão dos professores avaliadores e do próprio público, composto, em sua maioria, por estudantes de música. “Não gosto de audições. A questão da hierarquia entre professor e aluno e, sobretudo, o medo de errar afetam muito o emocional. Mas acho fundamental haver apresentações, se bem que acredito que o ideal seria práticas em grupo”, opina Jobson Francisco, estudante de flauta transversal.
            A professora Nadja não acredita que o fato de serem avaliados seja o motivo do nervosismo dos alunos durante as apresentações. “Não creio que a razão para insegurança seja a nota na caderneta que colocamos ao analisarmos a performance deles. Às vezes eles ficam tão temerosos por causa do público que nem se lembram desse detalhe”. A professora de piano Glenda Romero afirma que essas exposições são frequentes nas instituições de ensino da música. “Não é apenas a EMAN que obriga os alunos a tocarem em audições internas. Todas as escolas de música fazem isso para que os estudantes mostrem ao público o trabalho realizado e como está o desenvolvimento deles no instrumento”.
Uaná Vieira acredita que as audições internas treinam os alunos para apresentações maiores. “Essas exibições são importantes para treinar os futuros alunos da Universidade, integrantes de orquestras e para posteriores concertos”, acredita Uaná, que não nega o nervosismo durante as audições, mas afirma nunca tocar por obrigação, mas por amor à música.
Mas alguns alunos enxergam nas audições o meio de mostrar às pessoas quanto sabem tocar. São instrumentistas desinibidos que gostam de palco e público. Héber Jamim, de apenas 13 anos, vencedor da II Gincana Pianística da EMAN, afirma ter ficado nervoso apenas durante a primeira vez que se apresentou. “Ficar nervoso é natural no início, mas eu gosto muito de me apresentar porque isso vale como experiência, até para futuros concursos”.
A professora Glenda Romero, que também foi aluna de piano na Anthenor Navarro, comenta sobre a timidez dos alunos. “Para alunos tímidos a situação é ainda pior, mas sabemos que nervosismo é natural e em alguns casos é realmente necessário um tratamento, porque temos que aprender a enfrentar as coisas, primeiramente o piano e depois as situações da própria vida”.

CLIQUE PARA AMPLIAR!





Nenhum comentário:

Postar um comentário