terça-feira, 8 de novembro de 2011

Musicoteca Luzia Simões Bartolini - uma biblioteca musical


As melhores escolas do Brasil mantêm em suas dependências pelo menos uma biblioteca que auxilie seus alunos com as disciplinas ensinadas em salas de aula. Nas instituições de artes e música não é diferente. A EMAN possui um acervo de partituras, CDs, discos e livros fundamentais para o bom desempenho de suas funções educativas.
Costinha, professor de saxofone, afirma que toda escola de música deve ter uma discoteca ou musicoteca. Segundo ele, os docentes ensinam também sobre a história do instrumento, que está vinculada a sua origem, desenvolvimento e repertório musical. “É fundamental ter um local como esse para que o aluno possa pesquisar sobre o instrumento que ele está estudando, sobre as obras que ele venha a tocar, ou sobre a história da música nos diversos períodos”, explica Costinha.
            A Musicoteca da Anthenor Navarro sempre existiu com o nome Biblioteca Musical. Em 1986, ela foi batizada de Musicoteca Luzia Simões Bartolini. Recebeu diversas partituras de músicos ao longo de sua existência. Compositores estrangeiros e brasileiros, inclusive o pianista paraibano José Siqueira, têm suas obras disponíveis para que os alunos possam estudá-las. Isso é possível através de cópias realizadas nas dependências da Musicoteca. A EMAN tem autorização para poder fazer as reproduções dos originais das peças. O intuito é não prejudicar seus alunos por causa da dificuldade de encontrar partituras no Nordeste, e por ser financeiramente acessível a todos.
            A reprodução das partituras não é um serviço comercial, mas está disponível aos que estudam ou ensinam na Escola de Música. A EMAN não trabalha com empréstimos por causa do alto índice de perda de partituras, livros e CDs que ocorreram anos atrás. Há casos de exceção, quando uma pessoa responsável e qualificada tem muita necessidade e urgência do empréstimo. Nesse caso, o profissional assina um termo de responsabilidade por qualquer dano que possa causar ao objeto.

O acervo

Centenas de peças brasileiras foram cedidas à Escola de Música pela família do professor e pianista Gerardo Parente, morto em 2003. O músico, nascido em Fortaleza, conheceu a Paraíba em 1947, quando ficou impactado pelo alto nível das bandas de música e pelo movimento musical que existia em João Pessoa. Gerardo Parente foi um dos melhores pianistas na área de acompanhamento com instrumentistas e cantores líricos do Brasil. Conheceu Villa-Lobos e recebeu todas as instruções do compositor a respeito da interpretação de suas músicas, por isso Gerardo foi considerado um dos maiores intérpretes de Villa-Lobos.
Gerardo Parente também se especializou nas composições do brasileiro Ernesto Nazareth, cujas obras eram interpretadas constantemente em João Pessoa. Tocou nos Estados Unidos e nas principais cidades do Brasil. Em 1957, a convite da diretora da EMAN, Luzia Simões, torna-se professor de Música Brasileira e de piano na Escola de Música, mudando-se definitivamente para a Paraíba. “Ele tinha uma cabeça muito aberta e visão ampla que passava para todos. Era um grande pianista e co-repetidor de talento descomunal. Sua maior contribuição foi humana, pedagógica e musical”, afirma a atual diretora Vólia Simões.
Gerardo foi professor fundador do Departamento de Música da UFPB. Todo seu acervo de partituras, CDs, livros e discos foram doados à EMAN, o que fez da Escola uma das maiores detentoras de partituras brasileiras. Segundo o maestro Luís Carlos Durier, a Musicoteca Luzia Simões Bartolini, “é um dos grandes acervos de música do Nordeste e as pessoas não sabem disso. Pela EMAN passaram grandes professores de piano, violão, além de outros instrumentos e, consequentemente, esses profissionais traziam seus materiais e indicavam bons livros e partituras para que a Escola de Música pudesse adquirir”. Raras peças musicais de compositores brasileiros, principalmente para piano, são encontradas no Memorial Gerardo Parente, anexo à Musicoteca.
Para o flautista e professor da EMAN, Marco Antônio, “a escola tem um acervo que é sensacional, em que muitas músicas são desconhecidas de vários profissionais, principalmente de piano, que basicamente são as partituras que a família de Gerardo Parente deixou aqui”. A coordenadora de sopros, Nadja Amorim, acredita que a importância da Musicoteca se deve ao fato dela ser tanto uma fonte de pesquisas quanto de utilidade para desenvolvimento de alunos e professores.
O acervo da biblioteca musical da EMAN cresce continuamente. Isso se deve porque pessoas que já passaram pela Escola de Música, e não necessitam mais das peças que possuem, doam suas partituras e livros para a Musicoteca. Além disso, a Anthenor Navarro tem adquirido materiais em lojas especializadas em música erudita. “Quando as pessoas querem fazer uma pesquisa e desenvolver algo, do repertório essencialmente brasileiro, recorrem à Escola de Música Anthenor Navarro”, assegura Luís Carlos Durier, esclarecendo o motivo da grande procura dos músicos paraibanos pelo acervo da EMAN.
A bibliotecária Maria Solange Pereira trabalha na Musicoteca desde que era estudante de Biblioteconomia. “Amo estar no meio musical e foi aqui onde pude aplicar muitos dos meus conhecimentos adquiridos na Universidade”, comenta Solange. Ela explica que o ambiente da Musicoteca precisa ser melhorado. “O acervo precisa ser automatizado, porque o processo de catalogação ainda é manuscrito, correndo risco de deterioração dos registros. Além do mais, se automatizado, encontrar nomes de compositores e de partituras será bem mais prático”.
A insuficiência de espaço para usufruto da Musicoteca é a principal dificuldade enfrentada. “Às vezes recebemos doações de livros e partituras, mas não há espaço para guardá-los. Além disso, precisamos de uma sala mais agradável, onde os funcionários possam ter mais aproximação com os alunos”, comenta Maria Solange. “É necessário melhorar a estrutura física também para que os músicos possam ter um ambiente melhor para estudar”, completa.
Os alunos com mais tempo de estudo musical são os que mais procuram a Musicoteca. Geralmente são solicitados partituras e CDs com gravações de profissionais que tenham tocado as peças que o estudante esteja estudando. Renomados músicos brasileiros como Arnaldo Cohen, Miguel Proença, Francisca Gonzaga, Heitor Villa-Lobos e também estrangeiros têm suas interpretações em CDs e discos disponíveis no acervo da Musicoteca. Interpretações de quartetos de cordas, orquestras, quintetos, duos, intérpretes solistas e corais podem ser encontrados na biblioteca musical.
Há centenas de compositores e 3.345 partituras no acervo da Musicoteca Luzia Simões Bartolini, sem contar com as centenas de peças musicais do Memorial Gerardo Parente, que ainda não foram catalogadas. O Memorial, anexo à Musicoteca, tem sido prejudicado pelo reduzido tamanho do local disponível para seu arquivamento. Há dificuldades em manter organizado o acervo por falta de espaço.
Também há na Musicoteca 647 títulos entre CDs, DVDs e discos de vinil. Existe uma tese de doutorado de Luceni Caetano referente à vida do músico e fundador da EMAN, Gazzi de Sá, e a história cultural da Paraíba entre as décadas de 1930 e 1950. Há quatro teses de mestrado relacionadas à música, além de uma monografia de pós-graduação. São 932 livros de assuntos sobre história da música, teoria musical e artes.
Os livros de história são os mais procurados pelos alunos no final do curso, pois há semestres que estudam apenas a história da música nos âmbitos internacional e nacional. Os estudantes podem ouvir os CDs nos aparelhos de som existentes na Musicoteca. Já os DVDs são utilizados pelos professores durante as aulas, pois seu conteúdo é voltado para história, alguns documentários e vídeos de intérpretes da música.
Há muitos alunos de música da UFPB, principalmente de cordas, que recorrem à Musicoteca em busca de partituras que não encontram na biblioteca da Universidade. “Nosso acervo também é muito requisitado por estudantes de outros estados como Rio Grande do Norte e Pernambuco que passam aqui em João Pessoa para fazer alguma gravação ou para estudar. Eles acabam encontrando as peças que tanto procuravam em suas cidades”, afirma Maria Solange.
A Musicoteca também é responsável por guardar instrumentos musicais que são emprestados aos alunos que ainda não possuem o seu próprio. Nesse caso, os pais do aluno que for menor de idade devem preencher um termo de responsabilidade. O estudante permanece com o instrumento em casa a fim de estudar e a Escola de Música utiliza a rotatividade. Durante certos dias na semana um aluno tem o direito de ter sob sua responsabilidade o violino, por exemplo, e depois deve repassá-lo ao próximo estudante. São disponibilizados violinos, violoncellos e violas. Também instrumentos de sopro, como flauta transversal, saxofone e oboé.

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